É normal e compreensível, a cada virada, todos nós, nos perguntarmos sobre o que surgirá no próximo ano. Farejamos aos poucos comportamentos e pistas daquilo que já vem surgindo e que provavelmente estará mais presente no próximo ano. Eu mesmo, aqui no blog, dividi meus palpites de algumas apostas para 2018. Entendo a relevância do tema e a curiosidade que não é só de quem trabalha na área, mas de quase todos que se interessam por arquitetura e decoração.
Nesses dias, de férias, é normal desacelerando, pensarmos em alguns temas de forma mais livre ou até mais profunda também. Todo começo de ano sempre envolve reflexões e estou sempre observando e questionando meu universo de trabalho, temas, cores e como está o mercado de decoração.
Vivemos tempos acelerados onde a tecnologia nos bombardeia com informações a todo momento. Como conseqüência nada consegue ser tão duradouro nem mesmo definitivo. A velocidade com que tudo chega aos nossos olhos nunca foi tão rápida e talvez nossas mentes ainda não estejam aptas ou capacitadas para acompanhar o novo ritmo de que tudo é criado, divulgado, digerido e rejeitado. O número de pessoas que produziam conteúdo em outras épocas e agora também aumentou porque as oportunidades nesse sentido cresceram. Hoje, por meio das mídias sociais, quase que todo mundo passa a gerar seu próprio conteúdo e divulgar, seja ele profissional ou não. São épocas mais democráticas e que, por hora, abrem muito a nossa fonte de informação e não há apenas um “dono da verdade”.
Observando meus projetos em andamento, os que estão começando e mesmo os que finalizei, fica claro, ao menos para mim, que as tendências não são tão relevantes. Elas deixam de existir como protagonista e se enquadram apenas como coadjuvantes, não são mais tão rigorosas como eram na passagem para o século XXI.Tenho a sensação de que o excesso de informação talvez tenha a vantagem de não estabelecer um “estilo” a ser seguido. Não vejo mais um mundo com movimentos estéticos ou correntes arquitetônicas como tivemos em outras épocas na arte e na arquitetura. Talvez em épocas aonde a informação chegasse mais devagar tivéssemos tendências ou movimentos mais fortes, sólidos e marcantes.
Não se trata de dizer que as tendências acabaram ou irão desaparecer, mas existe uma pluralidade maior. A grande maioria parece perdida em meio à avalanche de imagens e fluxo de conteúdo buscando justamente uma uniformidade ou alguma fonte mais precisa para encontrar e mapear algo mais concreto ou mesmo a tendência em si. Por outro lado, basta acessar o Instagram e muitas delas estão lá escancaradas e até repetitivas como o retorno das formas curvas, a busca da leveza, algumas tonalidades (rosa ou o violeta?) e principalmente uma ênfase no uso consciente dos espaços, seja na integração ou no aproveitamento melhor já que caminhamos para um mundo com recursos financeiros limitados e a escassez de metros quadrados nas novas construções.
Igual acontece na moda, estamos em um período em que não temos mais a necessidade de seguir apenas um estilo e também não queremos ser rotulados já que estilos, rótulos e tendências são frágeis, questionáveis e podem mudar a qualquer instante. Talvez o mais interessantes seja pairar acima de tudo isso buscando seguir o universo particular de cada um a partir do que é observado, mas sem um comprometimento com cores, formas, estilos. Na nossa época, estar acima das tendências e rótulos talvez seja o lugar onde a maioria queira estar.
Eu, no meu trabalho como arquiteto, tento a todo custo criar algo mais definitivo. Busco sempre ouvir o cliente e pontuar suas reais necessidades, acho que a versatilidade profissional está em cada projeto ter a cara do cliente, o estilo que ele se identifica e nisto procuro imprimir no meu trabalho. Acho que tudo que é modismo, sai de moda e se torna obsoleto. O desafio sempre é tentar ir mais à essência e ser atemporal.
Sem dúvida, estamos vivendo uma época de transição e que a resposta a tudo isso talvez estará mais clara alguns anos a frente. Por enquanto não há um manual de como prosseguir. Talvez tenhamos que buscar internamente a resposta ao invés de nos abrirmos a toda e qualquer informação. São tempos de muito equívoco de informações. Talvez seja hora de filtrar acima de tudo e deixar a criatividade extravasar. Assim a garantia de um projeto mais atemporal fica mais solidificado.














