O Solar das Laranjeiras, situado na Rua Senador Pedro Velho, 12 – Cosme Velho/RJ, é uma construção iniciada no princípio do século XX – a primeira área edificada foi terminada em 1911. Os acréscimos que o monumento foi recebendo ao longo dos anos, como veremos em seguida, conferiram-lhe um aspecto bastante singular para a análise estilística de todo o edifício. A casa é tombada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – IRPH, órgão da capital fluminense, através de decreto nº 26.850, de 04/08/2006.
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FOTO 1: A sucessão singular de planos nos pavimentos do Solar das Laranjeiras: verticalização devido à topografia íngreme do terreno.
O Solar foi construído numa colina de pouso de cavalos, em terras da antiga fazenda de Rodrigo de Freitas e Petrolina Fagundes, velhos proprietários de vasto território entre a Lagoa e diversos bairros da zona sul carioca. Sua verticalidade advém, como vemos, da topografia do terreno (FOTO 1).
O início da construção do Solar nos remete aos primeiros anos dos novecentos, quando o Marechal Firmino Pires Ferreira edificou a casa na sua planta original. Parte do terreno foi, após a morte do oficial, comprada por João Coelho, enquanto outra parte ainda estava sob posse das herdeiras daquele. Clyto Lemos de Azevedo, médico da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, adquiriu ambas frações do terreno em 1926, para abertura de consultório privado de atendimento a pacientes. Não existem registros fotográficos da fachada original do monumento, mas, através da análise de documentos e fotos dos proprietários posteriores e dos elementos arquitetônicos originais ainda presentes no conjunto, podemos afirmar que sua construção acompanhava a tendência estética predominante no início do século XX, de inspiração eclética.
Assim, os primeiros pavimentos ainda possuem portas e arcadas típicas do neoclassicismo, com arcos plenos e chavetas nas terminações ao centro (FOTO 2; FOTO 3), enquanto algumas portadas internas, com destaque para a entrada principal no primeiro pavimento, em mármore, apresentam influência moura (FOTO 5). Também vale destacar, ainda entre os bens integrados, uma série de vitrais e painéis de azulejos em tamanhos diversos (FOTO 4).
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FOTO 2: Arcadas com chavetas e arcos plenos no primeiro pavimento.
Veremos adiante (FOTO 3) que estas arcadas eram abertas no layout original da casa. |
Em 1930, o imóvel é adquirido por João França, médico pernambucano e aprendiz de Clyto Lemos na Santa Casa. Mas o segundo proprietário fica pouco tempo no Solar: o mesmo recebe uma proposta de trabalho em Juiz de Fora e segue para lá com a esposa. Pouco adiante, em 1934, a casa é comprada pelo então capitão Ângelo Mendes de Moraes[1]. Dois anos depois, em 1936, o oficial adquire terreno contíguo à casa, ainda pertencente a Clyto Lemos, permitindo, assim, a expansão da área construída e a distribuição do cômodos, conforme estão dispostos atualmente.
É desta época que são encontrados os principais registros de compra de esquadrias, mobiliário e outros elementos para adaptação e expansão do Solar, ao gosto de Mendes de Moraes. O proprietário amplia toda a fachada à esquerda do edifício, além de construir mais três andares, somados àqueles do prédio original. O mesmo soergueu, ainda, uma adega na parte superior ao fundo do terreno em formato de torre cilíndrica, e aproveitou a fonte de paragem dos cavalos da antiga fazenda de Rodrigo de Freitas para criar um belo passeio, com quatro bustos de eminentes personalidades no seu muro posterior (FOTO 6).
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FOTO 6: Da esquerda para a direita, bustos dos escritores Aluísio Azevedo, Castro Alves, Artur Azevedo e Machado de Assis. Feitos em argamassa, por encomenda de Mendes de Moraes. |
A justaposição destes planos de construção, ao final das intervenções do ex-prefeito do Distrito Federal, deu um aspecto peculiar à casa, semelhante a um castelo: verticalizado, opulento e com uma torre ao fundo (FOTO 1). Seu valor estético aqui apresentado e seu histórico agregado, associado a uma figura importante da cidade do Rio de Janeiro, contribuindo inclusive para sua expansão e melhoria, tornam o Solar das Laranjeiras um monumento de notória referência, apontando para a importância do uso cultural do mesmo, incluído no escopo do projeto aqui apresentado.
Ficha técnica:
Fotos: Acervo do Marechal Angelo Mendes de Moraes
Fotos: Selmy Yassuda














