RIO – Minha cama, meu armário, meu banheiro… Os solteiros são ditadores em seu lares. Criam suas rotinas e organizam os ambientes e móveis das formas que lhes sejam mais convenientes. E quando juntam as escovas de dentes com alguém? A entrada de um companheiro ou uma companheira dentro das quatro paredes não significa apenas a oficialização de um romance. Mudanças na decoração quase sempre são indispensáveis. E os espaços, é claro, diminuem para a entrada dos pertences do outro. A mudança pode ser difícil, mas arquitetos e designers garantem que, com bom senso, não chega a atrapalhar o caminho para uma união estável e feliz.
Recentemente, a arquiteta de interiores Mariana Vaz reformou o apartamento de um ex-solteiro em Niterói. O casal decidiu que, depois do casamento, morariam na residência que antes era só dele. O maior desafio foi conseguir espaço para colocar mais um armário e acomodar os objetos dos dois. Conciliar os gostos diferentes, conta, também não foi nada fácil.
– A noiva queria tudo branco e o noivo gostava de cor. Consegui que prevalecessem os tons neutros, mas usei cores em alguns pontos, como nas pastilhas que revestem a cozinha. Uma boa estratégia é negociar da velha forma: “eu deixo isso, se você deixar aquilo” – comenta.
Há pouco tempo, o também arquiteto de interiores Thoni Litsz passou por uma situação semelhante. Menos de seis meses depois de ter feito uma grande obra no apartamento de uma mulher solteira, ela decidiu se casar e pediu para que ele a ajudasse a adaptar o imóvel.
A principal mudança foi no banheiro, remodelado para que marido e mulher tivessem cada um a sua cuba na bancada. Mas não foi apenas esta parte que foi duplicada. Agora também há dois chuveiros, já que os dois vão para o trabalho praticamente no mesmo horário e não querem correr o risco de se atrasar – nem de perder o bom humor um com o outro.
– Além disso, havia um escritório dentro do quarto, que teve de sair dali para que coubesse uma cama e um armário maior. Sinal de que, quando há uma mudança deste tipo, o apartamento pode perder um pouco sua funcionalidade, mas ganha outras vantagens, é claro – brinca Litsz.
A cozinha, segundo ele, tende a perder espaço para a instalação de uma sala de jantar – nas residências de solteiros, normalmente esse ambiente é considerado pouco necessários, já que as refeições são mais informais. A ideia, ressalta Litsz, é criar espaços reorganizando os ambientes que já existiam.
– Você perde lugar em alguns aspectos, mas ganha em outros. O importante é ter bom senso e evitar que fique a cara mais de um do que do outro. Ambos precisam ceder um pouco – aconselha.
A empresária Mirian Gotfryd, dona da loja Blue Gardenia, diz que o principal objetivo de quem se casa é criar uma clima aconchegante para os dois. É com isso em mente que criou o serviço de bed stylist. Consultoras da loja vão à casa dos clientes e os ajudam a organizar, cuidar e calcular a quantidade ideal de peças no enxoval de cama, mesa e banho.
– Os edredons, cobertores e travesseiros, por exemplo, são delicados e volumosos. Se a pessoa não souber como armazená-los corretamente, ocuparão um enorme espaço – diz Mirian, que lançou recentemente um guia para noivos, chamado The Wedding List.
Confira algumas dicas para uma transação suave entre a decoração de solteiro e a de casado:– Essa é a hora de otimizar o espaço e se desfazer de tudo o que não se usa mais;
– É preciso que haja concessões feitas pelos dois lados. Ambos devem ceder para que ninguém se sinta prejudicado e para que a casa tenha a cara do casal, não de apenas de um dos dois;
– É importante que a decoração mantenha o direito de cada um ter o seu espaço na casa ou no apartamento;
– Mesmo que o imóvel perca um pouco a praticidade, lembre-se que ganhará mais espaço útil pelo fatos dos móveis terem que ser maiores. Isso significa armários, camas e outros móveis em maior proporção.
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